O DIA EM
QUE O GRÊMIO MUDOU A HISTÓRIA DO ROCK
por Rodrigo EC
Reparem na
arquibancada, um jovem magrelo e (algo) cabeludo, os olhos atentos por trás dos
óculos redondos.
Corria a
primavera de 1961 na próspera e industrial Hamburgo, onde os Beatles faziam seu
segundo estágio musical. Moravam no sótão do Top Ten Club, na região de St Pauli, onde tocanvam de 6 a 7 horas por noite, sete vezes por semana. Operários do Rock rumo à excelência em composição.
Num domingo
de folga, três jovens magrelos hanging
around tomam umas cervejas são atraídos pelo fluxo nas imediações. Era uma
partida de futebol. Paul disse que o Saint Pauli era a equipe underground da
cidade e enfrentaria um time brasileiro, a escola campeã do mundial de 58 na
Suécia.
George quis
o som da torcida. John disse Let
it be.
O time
celeste saiu perdendo, mas empatou com um chute de longa distância. Wow, disse Paul. John permanecia mudo e
delirante. George captava os acordes das arquibancadas. Os brasileiros marcavam
bem. Tinham raça, mas tocavam a bola com arte. Viraram o jogo e quando Gessi
fez o terceiro gol gremista, Lennon rompeu o silêncio:
“That’s it.”
“What??” Asked Paul.
“It`s in my ears and in my eyes.”
“Something in the way they move”,
cantou George.
Os Beatles haviam aprendido a ser Hard Day`s Night trabalhadores na
Alemanha, mas naquela tarde tinham, num passe de futebol, percebido a arte e o
mundo com outro ângulo. Era a semente da ótica da mistura, da diversidade, do
tropical: Airton, Ortunho, Gessi, Henrique... aqueles brasileiros aguerridos e
dançantes. Uma semente do ecossistema do Tropicalismo que floriu em Sgt
Pepper`s para frutificar num Araça Azul. Wolkswagen Blues.

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